A celebração de ser chamada de mãe

Por Camila Baggio – Camila@jornaloflorense.com.br | 12 de Maio de 2017 às 16:47

Uma jovem e o sonho de ter um filho: conheça a história de Sandreli Berner Marteninghi, que neste domingo comemora a data com José Pedro

Nome: Sandreli Berner Marteninghi. Idade: 34 anos. Profissão: mãe. Neste domingo, dia 14 de maio, comemoramos um dia especial e, porque não, abençoado. É um dia, entre todos do ano, para não economizar agradecimentos às mulheres que nos deram a vida e que, desde a primeira batida do nosso coração, já passam a nos dar prioridade. É o que reconhece a florense Sandreli, que demonstra no olhar o amor pelo pequeno João Pedro, que completa hoje, dia 12, um ano e quatro meses de vida. Ao lado do marido André Luis Marteninghi, 35 anos, Sandreli confiou no seu sonho de ser mãe, persistiu apesar das adversidades impostas e ela.

O desejo de ser mãe de um menino surgiu cedo no coração de Sandreli. Após o casamento, o querer foi compartilhado por André e logo o casal tratou de aumentar a família. Foi pouco tempo até que ela tivesse em mãos um teste de gravidez com resultado positivo, e outro período igualmente curto para que o sonho fosse interrompido. O bebê do casal estava se desenvolvendo na trompa (órgão tão importante quanto o útero, a trompa é o berço da fecundação, local onde o esperma encontra com o óvulo e aí, uma nova vida surge). “Com isso a trompa acabou rompendo, fiz uma cirurgia muito arriscada e perdi o bebê. Depois disso foi um bom tempo em recuperação até resolvermos tentar de novo. Mais de um ano depois conseguimos, mas o problema se repetiu, desta vez na outra trompa e o aborto foi mais uma vez necessário”, recorda.

Com uma aflição constante, mas o coração cheio de amor, Sandreli e André seguiram então para uma clínica de fertilização in vitro. Ali puderam entender o que estava acontecendo. Ainda na adolescência a jovem teve um problema de intestino e precisou submeter-se a uma cirurgia. O que ela nunca soube é que aquele procedimento prejudicou suas trompas. “Com a infecção perdi os cílios da trompa, são eles os responsáveis em carregar o óvulo até o útero para que ali ele se desenvolva. Por eles serem microscópicos, não existe exame que detecte isso”, conta Sandreli.

O sonho

A única alternativa do casal foi então a fertilização in vitro – o procedimento implanta o embrião direto no útero da paciente. “Ao mesmo tempo em que foi uma escolha um pouco difícil, pois já havíamos passado por dois traumas psicológicos muito grandes e as pessoas diziam para desistir, para eu buscar outra realização, nós tínhamos certeza que daria certo e com muita fé resolvemos tentar, mesmo sabendo que as chances em uma primeira tentativa eram de apenas 10%”, recorda-se Sandreli.

O casal encarou a fertilização. Com a técnica, oito óvulos ficaram em perfeitas condições e, seguindo as normas, dois foram implantados no útero de Sandreli. “Poderia vir um, dois ou até quatro bebês. Mas eu tinha em mim que teria um menino.” Feito o procedimento, mais um susto. Nos dias seguintes – e fundamentais para o resultado positivo –, Sandreli teve sangramentos. “Suspeitamos que não tinha dado certo. Sempre tive muita fé e, naquele dia, lendo uma passagem da Bíblia, encontrei ao acaso a história de uma mulher, muito semelhante a minha, e resolvemos fazer um teste de farmácia. O resultado foi positivo”, lembra.

A consulta no médico confirmou que o pequeno José estava mesmo lá, ‘penduradinho’ no útero. “Fiquei até o quarto mês de gestação quase imóvel para garantir que ele conseguiria se firmar no meu útero. E ele foi um pequeno guerreiro, aguentou firme. Assim como aquela mãe que li na Bíblia naquele dia, também escolhemos o nome José para nosso filho”, emociona-se a mamãe. Depois do período delicado, vieram só notícias boas, José teve um desenvolvimento perfeito, nasceu com 51 centímetros e muito amor para receber. “Depois de tudo o que sofremos para ter ele, veio então a decisão de eu ficar em casa e cuidar de forma integral dele. Hoje em dia a maioria das mulheres não abre mão da vida profissional, mas eu abdiquei porque vale muito a pena”, valoriza Sandreli, que antes atuava na área educacional.

Passados os percalços, comemorar o Dia das Mães ao lado da sua ‘vida’, como Sandreli chama de forma carinhosa o filho, é um dia mais do que especial. “A maternidade me fez plena, me deu a paz que eu procurava. O José me completa e eu precisava dele na minha vida. Me transformei como pessoa, hoje sou mais calma para resolver os problemas, ou seja, ele veio para me ajudar. Quando tivemos as perdas, nos sentimos impotentes, me sentia incompleta. Não sei como ele será na adolescência, na juventude e na vida adulta, mas vou estar sempre ao lado dele”, comemora.

Há pouco mais de um mês Sandreli e André tomaram mais uma importante decisão, a de doar os seis embriões que estão na clínica de fertilização. “Nos sentimos completos com o José. Foi uma decisão difícil, mas com o coração muito aberto. Não sabemos para quem eles irão, se vão ser quatro, seis, ou 12 crianças. Como 90% das tentativas não dão certo, é tudo muito frustrante para quem deseja um filho e a espera por doações são enormes no país. Se Deus quiser vai dar certo também para outras mães”, acredita Sandreli. Quem sabe o Dia das Mães de alguma família não será especial neste ano graças aos pais do esperto José Pedro?

 

Tweetar

5 comentários

Fabíola Costa

10 de Julho de 2017 às 23:52

Minha amiga do coração ... quanto amor nessa linda história , superação e doação, e tudo isso se realizou em plena paz com o lindo e amado José que é a sua vidinha! ! Parabéns pela superação e creio que vcs abençoaram outras vidas sim ! Sejam abençoados em plena paz e felicidade com essa vidinha linda e colorida que Deus lhe concedeu o amado José !
Isabel Colombo

17 de Maio de 2017 às 09:21

Que história linda,e tive o prazer de fazer parte,nunca vou esquecer quando vc me mandou uma mensagem,dizendo prima estou gravida...ficamos muito felizes e começamos a rezar pra tudo dar certo,ai logo logo vc me convidou para chá de bebê...foi tudo perfeito....amo vcs minha familia linda,que DEUS vos abençõe,mil bjs dos primos...
Mariana

14 de Maio de 2017 às 22:26

Deus abençoe sempre! Linda historia❤
Teresinhapedrall.

14 de Maio de 2017 às 18:40

Parabéns pela determinação. Vocês foram muito guerreiros. És uma mãe fantástica. Abraços.
Loeci

14 de Maio de 2017 às 18:10

Parabéns Sandreli, conhecia um pouco da tua história,mas hoje conheci toda lendo essa reportagem ,vc é uma guerreira uma mãe abençoada por Deus .Parabens pelo dia das mães e pela família que voces formaram.

Deixe seu comentário