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Eternamente professor

Depois de quase duas décadas dando aulas no São Rafael, Rodrigo Schiavenin se despede da escola

Os alunos da escola São Rafael que acessaram o Facebook no último dia 20 de julho se depararam com uma notícia surpreendente: o professor Rodrigo Schiavenin anunciava sua saída após quase 20 anos trabalhando na instituição. Uma enxurrada de curtidas e comentários inundou a publicação, além das inúmeras mensagens privadas em agradecimento ao professor, responsável pela coordenação do Grêmio Estudantil e de projetos como o Astro e o Festival da Poesia.
“Estou com 40 anos, então o São Rafael significa metade da minha vida, metade do Rodrigo está aqui hoje e a outra metade ficou no São Rafael. A escola é minha segunda casa e representa muito para mim: meu primeiro emprego, toda a trajetória que eu fiz ali dentro, que eu acredito que tenha sido legal, pelas bilhões de mensagens que eu recebi”, comenta Schiavenin, grato pelo carinho dos alunos, ex-alunos e colegas de escola.
A trajetória de Rodrigo no colégio explica todas as homenagens. Ela começou ainda muito cedo, quando ele nem tinha terminado a faculdade de Letras. Num dia, o professor chegou lá à procura de emprego e saiu com um livro nos braços, entregue pela diretora Luci Bertolini. No outro, já estava dando aulas no turno da noite para alunos que tinham o dobro da sua idade, trabalho que conciliava com os estudos na faculdade.
Seis meses depois, Rodrigo já dava aulas de Literatura para todas as 33 turmas dos turnos da manhã, tarde e noite – à época, a escola São Rafael era a única de Flores da Cunha a receber estudantes do Ensino Médio. “No início, foi bem impactante. Não digo que não pensei em desistir. Os alunos tinham quase a mesma idade que eu, achavam que sabiam mais. Mas foi legal, fui me adaptando”, conta Schiavenin, demovido da ideia de desistir pela diretora.
Quem ganhou foi a escola. Com apenas cinco anos de São Rafael, Rodrigo começou a coordenar o Grêmio Estudantil e o Festival da Poesia, iniciativas que comandou até a sua saída. No Astro Festival de Cinema Estudantil, foram dez anos à frente do projeto. “Me sinto extremamente orgulhoso de ver a minha evolução pessoal e a evolução dos alunos. Tenho uma gratidão gigantesca por todos que passaram por mim e com quem aprendi muito”, diz.
A maior lição aprendida nessas duas décadas foi a empatia. O professor Rodrigo que dá adeus ao São Rafael em 2021 é, sobretudo, mais humano em relação ao que lecionou pela primeira vez, vinte anos atrás. “Eu era muito rígido, cobrava muito. Não que não se tenha que fazer isso, mas eu aprendi a ser mais flexível, mais próximo dos alunos. Quando eles não estão bem, a solução não é gritar, mas cativar. Sem dúvidas, eu aprendi a ser mais humano”, conta Rodrigo.
Ainda triste por estar longe da coordenação dos projetos escolares, o professor de Língua Portuguesa tenta se desfazer da rotina de acordar às 5h30min, alimentar a cachorra de estimação, preparar seu material e partir de casa, no bairro Nova Roma, em direção à escola. “Sobre a saída, ainda é um pouco difícil de falar. Deixei amigos e alunos que vou carregar para a vida toda. Eu tenho um carinho muito grande pelo São Rafael”, afirma, com lágrimas nos olhos.
Quanto aos projetos para o futuro, Schiavenin deixa que o curso da vida dite os rumos que irá tomar. Ele pretende continuar com os trabalhos de design na marca Oramais, fazer uma especialização na área da comunicação, além de se aventurar pelo mundo da poesia. Mas perguntado sobre a profissão pela qual pretende ser citado a partir de agora, Rodrigo é enfático: “Professor. Sou eternamente professor”. 

Durante dez anos, o professor Rodrigo Schiavenin coordenou o Astro.  - Pedro Henrique dos Santos
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